quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O SIGNIFICADO DE “DE ANTEMÃO CONHECEU” EM ROMANOS 8.29

Por David N. Steele e Curtis C. Thomas

“Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.” (Romanos 8.29-30).
            De um modo geral tem havido dois pontos de vista quanto ao significado e uso da palavra “conheceu” em Romanos 8.29. Uma categoria de comentaristas (os arminianos) mantém que Paulo está dizendo que Deus predestinou para a salvação aquele que ele previu que responderiam à sua oferta da graça (isto é, aquele que ele viu que se arrependeriam de seus pecados e creriam no evangelho pelo seu livre arbítrio). Godet, no comentário de Romanos 8.29, faz uma pergunta: “Em que sentido Deus os previu?” e responde que eles foram pré-conhecidos como certos de cumprir as condições de salvação, a fé; então pré-conhecidos pela fé”[1]. A palavra “ pré-conheceu” é assim entendida pelos arminianos como significando que Deus sabia de antemão quais pecadores creriam, etc., e com base neste conhecimento ele os predestinou para a salvação.
            A outra classe de comentaristas (os calvinistas) rejeita a visão acima sobre dois fundamentos. Primeiro, porque a interpretação arminiana não está de acordo com o significado da linguagem de Paulo e segundo porque está fora de harmonia com o sistema de doutrina ensinado no restante das escrituras. Calvinistas contendem que a passagem ensina que Deus põe seu amor sobre certos indivíduos (isto é, conheceu de antemão); estes Ele predestinou para serem salvos. Observe que o texto não diz que Deus sabia ALGO SOBRE indivíduos particulares (que eles fariam isto ou aquilo), mas ele diz que Deus conhecia os próprios indivíduos — aqueles que Ele conheceu Ele predestinou para serem feitos como Cristo. A expressão “de antemão conheceu” como usada aqui é assim entendida como equivalente a “amados de antemão” — aqueles que foram os objetos do amor de Deus, Ele selecionou para a salvação.
            As questões levantada pelas duas interpretações opostas são estas: Deus olhou através do tempo e viu que certos indivíduos creriam e assim  os predestinou para a salvação com base nesta fé prevista? Ou Deus colocou seu amor sobre certos indivíduos e por causa deste amor por eles predestinou que eles deveriam ser chamados e concedida a fé em Cristo pelo Espírito Santo e assim serem salvos? Em outras palavras, a fé do indivíduo é a causa ou o resultado da predestinação de Deus?
A) O significado de “de antemão conheceu” em romanos 8.29
            Deus sempre possuiu conhecimento perfeito de todas as criaturas e de todos os eventos. Nunca houve um tempo em que qualquer coisa do passado, presente ou futuro não fosse totalmente conhecida por ele. Mas não é seu conhecimento dos eventos futuros (do que as pessoas fariam, etc) que é referido em Romanos 8.29-30, pois Paulo claramente afirma que aqueles que Ele de antemão conheceu Ele predestinou, Ele chamou, Ele justificou, etc. Uma vez que nem todos os homens são predestinados, chamados e justificados, segue-se que nem todos os homens foram conhecidos de antemão por Deus no sentido falado no verso 29.
            É por esta razão que os arminianos são forçados a adicionar alguma noção qualificadora. Eles leem na passagem alguma ideia não contida na própria linguagem tais como aqueles que Ele previu que creriam, etc., Ele predestinou, Ele chamou e justificou. Mas de acordo com o uso bíblico das palavras “conhecer”, “conheceu” e “conheceu de antemão” não há a mínima necessidade de fazer tal adição, e uma vez que não é necessária, é imprópria. Quando a Bíblia fala de Deus conhecendo indivíduos particulares, isto frequentemente significa que Ele tem uma consideração especial por eles, que eles são os objetos de sua afeição e interesse. Por exemplo em Amós 3.2, deus falando a Israel, diz: “de todas as famílias da terra somente a vós outros vos conheci por isso eu os castigarei por causa de todas as suas maldades". O Senhor conhece sobre todas as famílias da terra, mas Ele conheceu Israel de uma forma especial. Eles foram seu povo eleito a quem Ele tinha colocado seu amor Veja Deuteronômio 7.7-8; 10.15. Porque Israel era dele de uma forma especial Ele os castigou, cf. Hb 12.5-6. Deus falando a Jeremias, disse: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci” (Jeremias 1.5). O significado aqui não é que Deus conhecia sobre Jeremias, mas que Ele teve uma consideração especial pelo profeta antes que Ele o formasse no ventre de sua mãe. Jesus também usou a palavra “conheci” no sentido de consciência pessoal, íntima. “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.” (Mateus 7.22,23). Nosso Senhor não pode ser compreendido aqui como se ele estivesse dizendo que não sabia nada sobre eles, pois é bastante evidente que Ele sabia muito sobre eles — o caráter mal e as obras más deles; daí, seu significado deve ser: “Eu nunca conheci vocês intimamente nem pessoalmente, Eu nunca considerei vocês como objetos do meu favor ou amor. Paulo usa a palavra do mesmo jeito em I Coríntios 8.3: “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele” e também II Timóteo 2.19: “O Senhor conhece os que lhe pertencem.” O Senhor conhece sobre todos os homens, mas Ele apenas conhece aqueles “que o amam, que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28) — aqueles que são seus!
            O argumento de Murray em favor deste significado de “de antemão conheceu” é muito bom. “Deveria ser observado que o texto diz “aos que de antemão conheceu”; aos que é o objeto do verbo e não há adição de qualificação.” Isto, por si mesmo, mostra que, a menos que haja alguma outra razão constrangedora, a expressão “aos que de antemão conheceu” contém dentro dela mesma a diferenciação que é pressuposta. Se o apóstolo tinha em mente algum “adjunto qualificador” teria sido simples fornecê-lo. Uma vez que ele não acrescenta nenhum nós somos forçados a inquirir se os termos reais que ele usa pode expressar a diferenciação implicada. O uso da escritura fornece uma resposta afirmativa. Embora o termo “de antemão conheceu” é usado raramente no Novo Testamento, é completamente indefensável ignorar os significados tão frequentemente dados à palavra “conhecer” no uso da escritura; “conhecer de antemão” simplesmente acrescenta o pensamento de “antemão” à palavra “conhecer”. Muitas vezes na escritura “conhecer” tem um significado rico que vai além de mera cognição. Ele é usado em um sentido praticamente sinônimo de “amor”, conhecer com interesse particular, prazer, afeição e ação (cf. Gn 18.19; Ex 2.25; Sl 1.6; 144.3; Jr 1.5; Am 3.2; Os 13.5; Mt 7.23; I Co 8.3; Gl 4.9; II Tm 2.19; I Jo 3.1). Não há razão porque esta importação da palavra “conhecer” não deveria ser aplicada a “conhecer de antemão” nesta passagem, como também em 11.2 onde ela também ocorre no mesmo tipo de construção e onde o pensamento da eleição está evidentemente presente (cf 11.5-6). Quando esta importação é apreciada, então não há razão para adicionar qualquer noção qualificadora e “aos que de antemão conheceu” é visto para conter dentro de si mesmo o elemento distintivo requerido. Isto significa “aos que Ele conheceu da eternidade com afeição e prazer distintivos” e é praticamente equivalente a “aos que Ele amou de antemão”. Esta interpretação, além disso, está de acordo com a ação eficiente e determinante que é tão notável em todos os outros elos da corrente — é Deus quem predestina, é Deus quem chama, é Deus quem justifica, e é Ele quem glorifica. Previsão de fé estaria em desacordo com a ação determinante que é predicada de Deus nestes outros exemplos e constituiria um despertamento da ênfase total no ponto onde nós deveríamos menos esperar. Não é a previsão da diferença, mas o conhecimento antecipado que faz a diferença existir, não uma previsão que reconhece existência, mas o preconhecimento que determina a existência. É um amor distintivo soberano”[2]
            Hodge observa que “como conhecer é frequentemente aprovar e amar, isto pode expressar a ideia de afeição peculiar neste caso; ou pode significar selecionar ou determinar sobre. O uso da palavra é favorável à qualquer modificação desta ideia geral de preferir. “O povo que ele de antemão conheceu”, isto é, amou ou selecionou, Rm 11.2; “conhecido antes da criação do mundo”. I Pe 1.20; II Tm 2.19; Jo 10.14-15; veja também Atos 2.23; I Pe 1.2. A ideia, portanto, obviamente é que, aqueles que Deus particularmente amou, ao amar, distinguiu ou selecionou do resto da humanidade; ou para expressar ambas as ideias em uma palavra, aos que Ele elegeu Ele predestinou, etc.”[3]
            Embora Deus conhecesse todos os homens antes que o mundo existisse, ele não conheceu todos os homens no sentido que a Bíblia às vezes usa a palavra “conhecer”, isto é, com consciência pessoal íntima e amor. É neste último sentido que Deus “conheceu de antemão” aqueles que Ele predestinou, chamou e justificou como delineado em Romanos 8.29-30.
B. Romanos 8.29 não se refere a previsão de fé, boas obras, etc.
            Como foi enfatizado acima, é desnecessário e, portanto indefensável adicionar qualquer noção qualificadora tais como fé ao verbo “conheceu” [de antemão] em Romanos 8.29-30. Arminianos fazem esta adição, não porque a linguagem requeira isto, mas porque o sistema teológico deles requer — eles fazem isto para escapar das doutrinas da eleição incondicional. Eles leem a noção de fé prevista no verso e então apelam para ele no esforço de provar     que a predestinação foi baseada nos eventos previstos. Assim é dito que indivíduos particulares são salvos, não porque Deus quis que eles devessem ser salvos (pois ele quis a salvação de todos), mas porque eles mesmos quiseram ser salvos. Daí a salvação é dependente em última análise da vontade do indivíduo, não da vontade soberana do Deus todo poderoso — a fé é entendida como sendo o dom do homem para Deus, não o dom de Deus para o homem.
            Haldane, comparando escritura com escritura, mostra claramente que o pré-conhecimento mencionado em Romanos 8.29 não pode ter referência à fé prevista, boas obras, ou a resposta do pecador ao chamado de Deus. “A fé não pode ser a causa do pré-conhecimento, porque o pré-conhecimento é antes da predestinação, e a fé é o efeito da predestinação. ‘Todos que foram ordenados para vida eterna creram’, Atos 13.48. Nem pode isto significar o pré-conhecimento de boas obras, porque estas são os efeitos da predestinação.” Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos”; Ef 2.10. Nem pode significar pré-conhecimento de nossa cooperação com o chamado externo, pois o nosso chamado eficaz depende não apenas desta concorrência, mas do propósito e da graça de Deus, dados a nós em Cristo Jesus antes da fundação do mundo, II Tm 1.9. Por este pré-conhecimento, então, queremos dizer, como tem sido observado, o amor de Deus para aqueles a quem Ele predestina para serem salvos através de Jesus Cristo. Todos os chamados de Deus são conhecidos de antemão por Ele, isto é, eles são os objetos do seu amor eterno, e o chamado deles vem deste livre amor. “Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atrai”, Jr 31.3.[4]
            Murray, ao rejeitar a visão de que “de antemão conheceu” em Romanos 8.29 se refere à previsão de fé, está certamente correto ao afirmar que “é preciso ser enfatizado que a rejeição desta interpretação não é ditada por um interesse predestinariano. Ainda que nós admitíssemos que ‘de antemão conheceu’ significa previsão de fé, a doutrina bíblica da eleição soberana não é desse modo eliminada ou refutada. Pois é certamente verdadeiro que Deus prevê a fé; ele prevê tudo que acontece. A questão então seria simplesmente: de onde procede esta fé que Deus prevê? E a única resposta bíblica é que a fé que Deus prevê é a fé que Ele mesmo cria (cf. Jo 3.3-8; 6.44;45,65; Ef. 2:8; Fl. 1.29; II Pe 1.2). Assim sua eterna previsão de fé é pré-condicionada por seu decreto de gerar esta fé naqueles que Ele prevê como crendo, e nós somos deixados com a diferenciação que procede da própria eleição eterna e soberana de Deus para a fé e seus efeitos. O interesse, portanto, é simplesmente de interpretação como deveria ser aplicada a esta passagem. Por razões exegéticas nós teremos de rejeitar a visão de que “de antemão conheceu” se refere à previsão de fé”.[5]
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
Fonte: http://www.monergism.com/thethreshold/articles/onsite/foreknew.html
 

[1]  Frederic Godet, Commentary on the Epistle to the Romans, p 325.* Italics are his.
[2] John Murray, The Epistle to the Romans, Vol. I, pp. 316-318.* Italics are his.
[3] Charles Hodge, Commentary on the Epistle to the Romans, pp. 283, 284. Italics are his.
[4] Robert Haldane, Exposition of the Epistle to the Romans, p. 397.
[5] Murray, Romans, Vol. I, p. 316.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

UM COMENTÁRIO DE JOÃO 3.16




“Alguns argumentam que o termo ‘mundo’ aqui simplesmente tem conotações neutras — o mundo humano criado. Mas o uso característico de ‘o mundo’ (ho kosmos) em outro lugar na narrativa é com conotações negativas — o mundo em sua alienação e hostilidade aos propósitos do seu criador. Faz mais sentido em um contexto soteriológico ver a última noção como em vista. Deus ama aquilo que se tornou hostil a Ele. A força não é, então, que o mundo é tão vasto que é preciso uma grande dose de amor para abraçá-lo, mas em vez disso que o mundo se tornou tão alienado de Deus que é necessário um tipo de amor extremamente grande para amá-lo de alguma maneira.”

A. Lincoln, The Gospel According to St. John (Henrickson 2005), 154.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

“RESPOSTAS ÚTEIS” DE FISCHER



Por Steve Hays

            Austin Fischer é o melhor que a SEA tem para oferecer?


“Quanto à questão de onde o calvinismo e qualquer tipo de teísmo clássico são de fato muito diferentes, em que em ambos os pontos de vista há criaturas criadas que terminarão no inferno, eu penso que o cerne da questão é este. No Calvinismo, Deus QUER que as pessoas (geralmente a maioria da humanidade) sejam condenadas para sempre para a sua glória.”

            É mais preciso dizer que ele decreta a condenação delas para o benefício dos eleitos.

“No teísmo clássico, Deus não quer que ninguém seja condenado para sempre”.

            O que Fischer tem em mente quando ele se refere ao “teísmo clássico”? O teísmo agostiniano é um exemplo de teísmo clássico. Se assim, o Deus do teísmo agostiniano não quer que ninguém seja condenado?

            O Tomismo é um exemplo de teísmo clássico? Se sim, então o Deus do Tomismo não quer que ninguém seja condenado?

“E Então sustenta essa ideia por morrer numa estaca de madeira”. 

                O Deus calvinista não sustenta esta ideia por morrer numa estaca de madeira? O calvinismo afirma a crucificação do Deus encarnado. Então sobre o que Fischer está realmente falando?

“Mentes razoáveis podem diferir aqui, mas eu penso que há toda a diferença no mundo entre um Deus que quer que a maioria dos homens seja condenada para sempre (e torna isto certo via compatibilismo) e um Deus que não quer mas não pode evitar a possibilidade de condenação dado as contingências  de um mundo com liberdade criada significativa.”

            Isto é confuso em vários aspectos.

            I) Ainda que a liberdade libertária seja verdadeira, qual é a base para assumir que não há mundos possíveis (ou viáveis) nos quais todo o mundo livremente ama a Deus?

            II) E ainda que o teísmo do livre arbítrio exclua o universalismo, dizer que Deus não pode salvar todo o mundo não implica que Deus deve condenar alguém. Fischer pensa que Deus é forçado a criar seres humanos que ele sabe que ele condenará? Por que o Deus do teísmo do livre arbítrio não pode impedir a condenação deles ao impedir os condenados de existirem em primeiro lugar? Eles o forçaram a fazer isto?[1]

“Em outras palavras, no Calvinismo as pessoas são condenadas porque Deus quer mostrar sua ira (para o bem dos eleitos). No teísmo clássico, as pessoas são condenadas porque Deus quer um mundo onde o amor, o propósito e o relacionamento sejam possíveis.”

            É claro, isto é uma falácia lógica assumida como verdadeira sem evidência.

“Quanto à presciência, a chave (como eu chamo a atenção na resposta a Kevin) é que a presciência de Deus não é determinativa. Há algum mistério aqui, mas nada logicamente incoerente.”

            Presciência não é “determinativa” no sentido causal, mas ela torna o resultado certo.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino




[1] Nota do tradutor: ao pé da letra seria “colocar uma arma sobre a sua cabeça”.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CALVINISMO ARMINIANO



Por Steve Hays

            Arminianos gostam de mencionar regularmente vários textos de prova que, à sua própria maneira de pensar, implicam ou presumem escolha humana – definida como a liberdade de fazer o contrário.

            Eles podem criticar os calvinistas por desconsiderarem o “sentido óbvio” da escritura (ou palavras nesse sentido). Nós fazemos isto porque nós alegadamente começamos com o nosso compromisso a priori com a predestinação, o que nós então incidimos sobre os dados bíblicos.

            A coisa engraçada sobre essa alegação é que os arminianos estão na verdade em uma situação paralela. Enquanto eles não creem na pré-ordenação divina, eles creem mesmo na presciência divina.

            Agora, embora a presciência não determine o futuro, a presciência assume que o futuro é determinado. Se Deus conhece o futuro, então o futuro não pode ser o contrário.

            Portanto, um arminiano de fato não pode aceitar os seus próprios textos como eles aparentam (isto é, o que eles tomam como sendo o “sentido claro”). Uma vez que Deus prevê o que o agente fará, o agente carece de liberdade “real” (como o arminiano a define). A liberdade do agente é “ilusória” (como o arminiano a define).

            Alguns arminianos têm se deslocado para o molinismo. Mas essa mudança simplesmente desloca o problema de um lugar para o outro. No mundo real, o agente não tem a liberdade de fazer o contrário. Antes, o mundo real representa apenas uma escolha humana — o único que Deus forneceu, para a exclusão de outras escolhas possíveis.

            Somente o teísmo aberto pode consistentemente interpretar os textos de prova arminianos para estabelecer a liberdade libertária.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino