sábado, 24 de janeiro de 2015

MOLINISMO E I Co 10.13

Por Steve Hays

            Teístas do livre arbítrio citam I Co 10.13 como um texto de prova para a liberdade libertária (isto é, liberdade de fazer o contrário). Convertendo isto em termos de PPA (no inglês PAP)[1], há mundos possíveis nos quais os cristãos resistem às ditas tentações e mundos possíveis  nos quais  os cristãos sucumbem às ditas tentações. E os cristãos têm a habilidade metafísica de acessar uma ou outra alternativa.

            Além disso, em minha experiência, teístas do livre arbítrio dizem que isto se refere, não especialmente a pecados graves, como apostasia ou transgressões que conduzem à apostasia, mas ao ato de pecar em geral.

            Assumindo que esta é uma exposição precisa da posição deles, eis aqui a dificuldade:
            De acordo com o molinismo, nem todos os mundos possíveis são mundos viáveis. Mundos viáveis são um subconjunto de mundos possíveis. Deus só pode criar mundos viáveis. E que mundos possíveis são viáveis está além de seu controle.

            Nesse evento, como Deus pode cumprir a promessa universal para os cristãos em I Co 10.13 de sempre fornecer uma alternativa para o ato de pecar? Como Deus pode garantir que para cada tentação, um mundo viável está sempre disponível onde um cristão resiste àquela tentação particular?

            Nós estamos falando sobre todas as tentações diárias que cada cristão enfrenta no passado ou futuro. Deve haver um estoque de mundos viáveis para combinar com aquela situação em todo caso, onde o cristão não cede à tentação.

            Também, não é este um problema geral para o molinista tomar sobre as declarações condicionais e contrafactuais na escritura?

            Talvez um molinista estipularia que Deus teve muita sorte. Mas não é isto um ad hoc?

            Ao defender a onibenevolência de Deus, eles dizem que os mundos viáveis constrangem o que Deus é capaz de fazer.

            Ao defender I Co 10.13, é permitido a eles dar meia-volta?

            O estoque de mundos viáveis expandem ou contraem dependendo das necessidades exigentes da teoria molinista em qualquer dado tempo?

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino





[1] Nota do tradutor: Principle of Alternative Possibilities (Princípio das Possibilidades Alternativas).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

OS FACTS DA SALVAÇÃO - PARTE IV



Por Steve Hays
           
“A próxima frase em Ef 1.4 — ‘antes da fundação do mundo’ — nos traz uma diferença de opinião entre arminianos sobre a natureza da eleição condicional. A visão tradicional concebe a eleição condicional como individual, com Deus escolhendo separadamente antes da fundação do mundo cada indivíduo que ele previu que livremente estaria em Cristo pela fé e perseveraria naquela união pela fé. O ponto de vista parece encontrar apoio notável em duas passagens proeminentes que se referem à eleição. Rm 8.29 diz: ‘pois aos que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu filho, a fim de que pudesse ser o primogênito entre muitos irmãos.’ A presciência de Deus dos seres humanos é total e incluiria o conhecimento anterior de cada pessoa e se eles creriam ou não. E em Rm 8.29, a presciência divina é apresentada como a condição para a predestinação. Dado tudo o que nós dissemos até agora, muitos considerariam o pré-conhecimento de Deus da fé dos crentes como sendo o elemento mais natural da sua presciência deles a ser determinante para sua decisão de salvá-los e predestiná-los a serem conformados à imagem de Cristo. A outra passagem proeminente que fornece suporte para eleição sendo condicionada à presciência divina da fé humana é I Pe 1.1-2, a qual fala do status do eleito como sendo ‘de acordo com a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo e aspersão com seu sangue’... Aqui a condição do eleito é explicitamente baseada na presciência de Deus. E novamente, o tipo de evidência que nós temos analisado leva muitos a crer que é explicitamente a presciência da fé dos crentes que está em vista como aquela para o qual a eleição se conforma. Uma vez que este texto não especifica a presciência em vista a ser de pessoas, outra opção compatível com ambas as visões arminianas da eleição tomaria a presciência divina em I Pe 1.1-2 como sendo o próprio plano de Deus de salvação, significando que a eleição é baseada no plano de Deus de salvar aqueles que creem.”
            Ainda que nós concedamos para o bem do argumento que proginosko significa presciência, não há nada nestes versículos sobre a prevista. O que é previsto?

“O ponto de vista arminiano não-clássico da eleição é conhecido como eleição corporativa. Ele observa que a eleição do povo de Deus no Antigo Testamento era uma consequência da escolha de um indivíduo que representava o grupo, o cabeça e representante corporativo. Em outras palavras, o grupo era eleito no cabeça corporativo, isto é, como uma consequência de sua associação com este representante corporativo (Gn 15.18; 17.7-10, 19; 21.12; 24.7; 25.23; 26.3-5; 28.13-15; Dt 4.37; 7.6-8; 10.15; Ml 1.2-3).
            É claro, isto é consistente com a teologia do pacto no calvinismo.

“Alguns tem equivocadamente tomado o apelo de Paulo em Romanos 9 à eleição arbitrária dos primeiros cabeças do pacto como sendo indicação de que a eleição do povo de Deus para a salvação é incondicional. Mas a eleição do cabeça do pacto é única, envolvendo a eleição de todos que são identificados com ele em vez de que cada membro individual do povo eleito foi escolhido como um indivíduo para se tornar parte do povo eleito da mesma maneira como o cabeça corporativo foi escolhido. Em harmonia com sua grande ênfase em Romanos sobre a salvação/justificação sendo pela fé em Cristo, Paulo apela para a eleição discricionária de Isaque e Jacó a fim de defender o direito de Deus de fazer a eleição ser pela fé em Cristo em vez de obras ou descendência.”
            Aqui ele parece classificar idiossincraticamente Isaque e Jacó como “cabeças corporativos”. Mas Deus não fez seu pacto com Isaque e Jacó. Deus fez seu pacto com Abraão. Abraão foi o cabeça federal ou mediador do pacto. Isaque e Jacó beneficiários. Eles são parte do pacto pela virtude de Abraão. Então eles são indivíduos.

            Lembre-se, eu penso que Paulo está usando eles como representantes para ilustrar um princípio: a eleição individual.

“A metáfora da oliveira em Rm 11.17-24 dá um excelente retrato da perspectiva da eleição corporativa. A oliveira representa o povo escolhido de Deus. Mas indivíduos são enxertados dentro do povo eleito e participam na eleição e suas bênçãos pela fé ou cortados do povo escolhido de Deus e suas bênçãos por causa da incredulidade. O foco da eleição é o povo corporativo de Deus com indivíduos participando na eleição por meio da participação deles (através da fé) no grupo eleito, que abrange a história da salvação.”
                I) O calvinismo não é oposto à eleição corporativa. Antes, ele é oposto a colocar a eleição corporativa contra a eleição individual.

            II) Tenha em mente que Rm 11.17-24 não usa linguagem eletiva.

            III) Tenha em mente também que nós precisamos distinguir entre palavras eletivas e o conceito de eleição. A mesma palavra pode ser usada para denotar mais que um conceito. Embora os judeus fossem o “povo escolhido”, isto não significa que Deus escolheu salvar cada judeu. A escolha de Deus de Israel não é “eleição” como isto é definido na teologia reformada.
            IV) Na história de Israel, você tem um contraste entre um remanescente fiel e muitos judeus nominais.

            V) Há a questão do que a oliveira representa na metáfora de Paulo. Quem Paulo está advertindo? Por exemplo, Paulo está escrevendo para a igreja de Roma. Uma igreja local pode ser (geralmente é) uma multidão mista de crentes verdadeiros e crentes nominais. Ao longo do tempo, os crentes nominais podem ultrapassar em número os crentes verdadeiros. Ao longo do tempo, uma igreja local pode perder sua identidade cristã. Na história da igreja, você também tem denominações apóstatas. Algumas começaram bem, mas terminaram mal.

            Mas isto é consistente com a perseverança dos santos. Deus preserva eleitos individuais — não necessariamente instituições.

“Embora concordando que Deus conhece o futuro, incluindo quem crerá,”
            Contudo Abasciano diz que os homens têm a liberdade de fazer o contrário. Mas naquele evento, as escolhas humanas são inerentemente imprevisíveis. Como Deus pode prever um evento intrinsecamente imprevisível? Se o resultado pudesse acontecer de qualquer forma, então ele é imprevisível. Se é imprevisível, então ele não pode ser previsto.

“A perspectiva da eleição corporativa tende a entender as referências à presciência em Rm 8.29 e I Pe 1.1-2 como se referindo a um conhecimento relacional prévio  que equivale a reconhecer previamente, abraçar ou escolher pessoas como pertencentes a Deus (isto é, no relacionamento pactual). Às vezes a Bíblia menciona este tipo de conhecimento, tais como quando Jesus fala daqueles que nunca se submeteriam verdadeiramente ao seu senhorio: ‘E então eu lhes direi: ‘eu nunca vos conheci, apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade’ (Mt 7.23; cf. Gn 18.19; Jr 1.5; Os 13.4-5; Am 3.2; I Co 8.3). Nesta visão, ser escolhido de acordo com a presciência significaria ser escolhido por causa da eleição anterior de Cristo e do povo corporativo de Deus nele. ‘Aqueles [plural] que ele dantes conheceu’ em Rm 8.29 se referiria à igreja como um corpo corporativo e a eleição deles em Cristo assim como a identidade deles como a continuação legítima do povo do pacto escolhido de Deus, que os indivíduos crentes compartilham pela união com Cristo pela fé e membresia em seu corpo. Tal referência é semelhante às declarações na escritura faladas a Israel sobre Deus os escolher no passado (Dt 4.37; 7.6-7; 10.15; 14.2; Is 41.8-9; 44.1-2 ; Am 3.2). Em cada geração, Israel poderia ser dita ter sido escolhida. A igreja agora compartilha esta eleição através de Cristo, o cabeça federal e mediador. (Rm 11.17-24; Ef 2.11-22).
            Aqui ele está tacitamente admitindo que o entendimento calvinista tradicional de proginosko está correto. Ele não significa presciência; antes, ele significa escolha prévia.

            Abasciano criou um dilema para si mesmo. De um lado, ele quer desaprovar a eleição individual ao substituir pela eleição corporativa. Por outro lado, ele pode simplesmente fazer isto perdendo outra manobra arminiana tradicional. Arminianos tipicamente evadem a força predestinariana de passagens como Rm 8.29 ao afirmar que proginosko significa presciência, enquanto que calvinistas dizem que isto significa escolha prévia. Abasciano está agora afirmando a interpretação calvinista de proginosko. Ainda que (por hipótese) ele esteja certo sobre a eleição corporativa, ele ganha um ponto ao perder outro ponto. Um passo à frente, um passo atrás.

“De forma similar, ser escolhido em Cristo antes da fundação do mundo refere-se ao compartilhamento na eleição de Cristo que aconteceu antes da fundação do mundo (I Pe 1.20).

            A escritura não ensina a eleição de Cristo.

“Porque Cristo encarna e representa seu povo, pode-se dizer que seu povo foi escolhido quando ele era apenas como poderia ser dito que a nação de Israel era no ventre de Rebeca antes de sua existência porque Jacó era (Gn 25.23) e que Deus amou/escolheu Israel ao amar/escolher Jacó antes que a nação de Israel existisse (Ml 1.2-3) e que Levi pagou dízimos a Melquisedeque em Abraão antes que Levi existisse (Hb 7.9-10) e que a igreja morreu, levantou-se e foi assentada com Cristo antes que a igreja existisse (Ef 2.5-6; cf. Cl 2.11-14;; Rm 6.1-14) e que nós (a igreja) estamos assentados as regiões celestiais em Cristo quando nós não estamos literalmente ainda no céu mas Cristo está. A eleição de Cristo implica a eleição daqueles que são unidos a ele, e então a nossa eleição pode ser dita como tendo sido acontecida quando a dele aconteceu, mesmo antes que nós estivéssemos unidos a ele. Isto é um pouco similar a como eu, como um americano, posso dizer que  nós (América) vencemos a Guerra Revolucionária antes que eu ou qualquer americano vivo hoje já fosse nascido.”

                Como os cristãos podem ser escolhidos “quando” Cristo foi? Ainda que você aceite a afirmação dúbia de que o próprio Cristo é escolhido, ele foi escolhido antes da fundação do mundo. Contudo, Abasciano pensa que a eleição é contingente à fé (indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos contanto que eles creiam). Portanto, a eleição dos homens deve ser subsequente à fé deles. Além disso, uma vez que os crentes vivem em diferentes épocas, como eles podem ser escolhidos quando Cristo é escolhido? A posição de Abasciano é incoerente com seus próprios termos.

“A visão corporativa explica porque apenas aqueles que são de fato povo de Deus são chamados de eleitos ou apelos parecidos na escritura e não aqueles que não pertencem a Deus, mas um dia pertencerão. No Novo Testamento, somente os crentes são identificados como eleitos. Quando Romanos 8.9 diz: ‘Se alguém não tem o Espírito de Cristo, ele não pertence a ele.’ De forma similar, Rm 11.7-24 apoia o entendimento corporativo dos eleitos como se referindo apenas àqueles que estão de fato em Cristo pela fé em vez de também incluir certos incrédulos que foram escolhidos para crer desde a eternidade. Pois em Rm 11.7, ‘o restante’ não é eleito. Mas Paulo acreditava que aqueles ‘outros’ poderiam ainda crer, revelando que eleito é um termo dinâmico que permite a saída e entrada dentre os eleitos como retratado na metáfora da oliveira.”

            Não é a eleição que é dinâmica, mas o endurecimento. E isto é obra de Deus.

“Uma vez que a eleição individual deriva da eleição de Cristo e do povo corporativo de Deus, indivíduos se tornam eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto eles creem. Daí, II Pe 1.10 insta os crentes a ‘procurar mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição’ e o Novo Testamento é repleto de advertências a perseverar na fé para evitar perder a eleição/salvação.”

            Isto presume que a linguagem “escolhidos” na escritura é sempre um termo técnico para a eleição. Mas a eleição é uma categoria teológica especializada. E você não pode simplesmente citar o uso de um autor para definir o uso de outro autor. Por exemplo, a escolha de Deus de Israel não significa que cada judeu individual está assim seguro.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

OS FACTS DA SALVAÇÃO - PARTE III

Por Steve Hays

        
            Com respeito aos seus textos do NT.

            II Coríntios 8.3: isto se refere aos meios financeiros deles, não a uma faculdade psicológica ou habilidade. Na verdade, os recursos financeiros deles eram bastante limitados.

            Filemom 14: Abasciano ignora a postura retórica. Paulo está sendo discreto. Pedindo um favor àquele que havia sido ajudado antes. Ele está impondo sobre Filemom sem parecer ser áspero sobre isto. Exercendo autoridade moral. E, legalmente, Filemom está em uma posição de recusar, o que é uma razão que Paulo deve ser diplomático. Ele deve respeitar as prerrogativas sociais de Filemom.

            Se isto prova o livre arbítrio libertário, então isto prova demais, pois isto significaria que o dono do escravo tem uma faculdade psicológica da liberdade libertária, mas um escravo não.        

            I Coríntios 7.37: o ponto de Paulo é que na escolha entre casamento ou celibato, o cristão não está vinculado por obrigações sociais ou expectativas habituais.

“Finalmente, o conceito de livre arbítrio também implica que Deus tem livre arbítrio final e absoluto. Pois é Deus quem sobrenaturalmente liberta a vontade dos pecadores por sua graça para crer em Cristo, que é uma questão do próprio livre arbítrio e soberania de Deus. Deus é onipotente e soberano, tendo o poder e autoridade para fazer qualquer coisa que ele queira e não ser constrangido em suas próprias ações e vontade por qualquer coisa fora dele mesmo e de seu próprio julgamento. (Gn 18.14; Ex 3.14; Jo 41.11; Sl 50.10-12; Is 40.13-14; Jr 32.17, 27; Mt 19.26; Lc 1.37; At 17.24-25; Rm 11.34-36; Ef 3.20; 2 Cr 6:18; Ap 1.8).”

            Só que os teístas do livre arbítrio pensam que as ações e desejos de Deus são constrangidos por algo fora dele mesmo: a saber, a habilidade dos homens de contrariar seus planos e desejos. Então, Abasciano na verdade não pensa que Deus é soberano. Embora ele não queira ceder esse atributo (a soberania divina) aos calvinistas, sua reivindicação a esse atributo é auto-contraditória.

“Há duas visões principais do que a Bíblia ensina a respeito do conceito de eleição para a salvação: que ela é ou condicional ou incondicional. Para a eleição ser incondicional significa que a escolha de Deus daqueles que ele salvará não tem nada a ver com eles, que não havia nada sobre eles que contribuiu para a decisão de Deus de escolhê-los, o que parece fazer a escolha de Deus de qualquer indivíduo particular como oposta a outro arbitrário.”

            I) “Arbitrário” no sentido de que o pecador não tem direito a misericórdia de Deus, então Deus pode justamente discriminar. Uma vez que Deus não é obrigado a mostrar misericórdia a quer que seja, ele não é obrigado a mostrar misericórdia a todos. Abasciano imagina que Deus está moralmente obrigado a mostrar misericórdia para todos?

            Isto não só falha em distinguir entre culpa e inocência, justiça e misericórdia, mas isto significaria que Abasciano nega a Deus a liberdade de fazer o contrário. Abasciano é necessitariano sobre o plano de salvação?

            II) Porém, quem Deus elege ou reprova faz uma diferença em como a história se desdobra. Para tomar um exemplo, Se Abraão fosse reprovado em vez de eleito, isto implicaria um cronograma alternativo nos quais os eventos terminam de forma muito diferente.

“Isto também implica reprovação incondicional e arbitrária, a escolha de Deus de certos indivíduos de não salvar senão condenar por seus próprios pecados por nenhuma razão que tenha a ver com eles...”

            A declaração de Abasciano é autorrefutável. Se Deus os condena “pelos pecados deles”, então Deus não está condenando “por nenhuma razão que tenha a ver com eles”.

            O pecado é uma condição necessária, mas insuficiente da reprovação. 

“Desejando a salvação de todos, providenciando a expiação para todos e tomando a iniciativa de trazer todas as pessoas à salvação ao enviar o evangelho e capacitar aqueles que ouvem o evangelho a responder a ele positivamente em fé, Deus escolhe salvar aqueles que creem no evangelho/Jesus Cristo (Jo 3.15-16, 36; 4.14; 5.24, 40; 6.47, 50-58; 20.31; Rm 3.21-30; 4.3-5, 9, 11, 13, 16, 20-24; 5:1-2; 9.30-33; 10.4, 9-13; 1 Co 1.21; 15:.1-2; Gl 2.15-16; 3.2-9, 11, 14, 22, 24, 26-28; Ef 1.13; 2.8; Fl 3.9; Hb 3.6, 14, 18-19; 4.2-3; 6.12; I Jo 2.23-25; 5.10-13, 20). Esta clara e básica verdade bíblica é equivalente a dizer que a eleição para a salvação é condicional a fé.”

            Não, isto não é “equivalente a dizer que a eleição para a salvação é condicional à fé”. Embora a salvação seja contingente à fé, isto não faz a eleição contingente à fé. Na verdade, isto poderia ser o contrário. A fé é contingente à eleição, e é por isso que Deus concede fé aos eleitos.

“Assim como a salvação é pela fé (Ef 2.8 – ‘pois pela graça sois salvos, por meio da fé’), assim a eleição para a salvação é pela fé, algo explícito em II Ts 2.13 – ‘Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação pela santificação do Espírito e fé na verdade” (NASB; note: ‘Deus vos escolheu... pela... fé na verdade’; sobre a gramática deste verso, veja http://evangelicalarminians.org/2-thessalonians-213-greek-grammar-and-conditional-election/)”

            Longe de estar explícito, comentaristas como Beale, Bruce, Fee, Green, Marshall e Wanamaker (assim como Bill Mounce) tudo que diz respeito à “salvação” em vez de “fé” como o objeto da escolha divina neste verso. Não há nenhuma presunção de que Abasciano tem uma melhor compreensão da sintaxe do grego do que todos estes eruditos do NT.

“O fato de que o Espírito Santo é dado aos crentes sobre a condição de fé em Cristo é também sustentáculo da eleição condicional. Pois na escritura a presença de Deus/Espírito Santo é o doador e indicador da eleição. Como Moisés ora em Êxodo 33.15-16: ‘Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra; ’ ou como Paulo afirma em Rm 8.9-11: ‘Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.’ A dádiva do Espírito transfere eleição, e ter o Espírito torna uma pessoa eleita. Assim, ter o Espírito também marca uma pessoa como eleita. Mas o Espírito é dado aos crentes pela fé, fazendo a eleição ser também pela fé.
                Dizer que o Espírito é dado sobre a condição de fé é assumir algo que não é evidenciado. E se a fé é dada pelo Espírito?

“De um ponto de vista arminiano não tradicional, isto está de acordo com os fatos de que o Espírito Santo santifica os crentes e a santificação é às vezes identificada como o meio pelo qual a eleição é realizada (II Ts 2.13; I Pe 1.2). Santificar significa ‘tornar santo. Separado para Deus’. A obra santificadora inicial do Espírito é equivalente a eleição — crentes são escolhidos ou separados como pertencentes a Deus e para o serviço e para obediência a ele. O apóstolo Paulo disse para a igreja dos tessalonicenses: ‘Deus vos escolheu desde o principio para a salvação pela santificação do Espírito e fé na verdade (II Ts 2.13;NASB). A eleição é aqui apresentada como acontecendo através  ou pela santificação que o Espírito Santo realiza. Mas como nós temos visto, o Espírito Santo é recebido pela fé, tornando a santificação que ele traz também condicional a fé e lançando luz sobre a menção da ‘fé na verdade’ imediatamente seguinte em II Ts 2.13.”
            Ele é muito dependente deste versículo em particular, e de sua tradução particular para defender seu argumento. Mas a maioria dos eruditos discorda.

“De forma similar, I Pe 1.1-2 fala dos ‘eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...’ A eleição acontece em ou através da santificação efetuada pelo Espírito. Isto é, uma pessoa se torna eleita quando o Espírito Santo a separa como pertencente a Deus, para a obediência a Jesus Cristo e para a aspersão com seu sangue (isto é, o perdão de pecados), um ato consequente à doação do Espírito, o qual novamente é ele mesmo consequente à fé em Cristo.”
                Não, a eleição acontece através da escolha anterior de Deus. Eles não foram apenas escolhidos, mas escolhidos por Deus, e eles foram escolhidos de antemão (até mesmo Abasciano admite que isto é o que proginosko significa).

“O estado final da graça daqueles mencionados acima para nós considerarmos é a união com Cristo, o que é o mais fundamental de todos eles, servindo como a base de cada. Como Ef 1.3 afirma a respeito da igreja, Deus ‘nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais.’ A frase ‘em Cristo’ indica união com Cristo, um estado iniciado pela fé, como mencionado acima.”
            Ele está construindo sobre uma falsa premissa (veja abaixo).

“Mais diretamente, Ef 1.4 então explicitamente indica a condição de fé especificamente com a frase ‘nele’ [Cristo]: ‘ele [Deus] nos escolheu nele antes da fundação do mundo.’ Assim como Deus nos abençoar em Cristo com toda sorte de benção espiritual indica que Deus nos abençoou porque nós estamos em Cristo (Ef 1.3), então Deus nos escolher em Cristo indica que Deus nos escolheu por causa de nossa união com Cristo (Ef 1.4). Efésios 1.4, portanto, articula a eleição condicional, uma eleição que é condicional à união com Cristo. Mas o fato de que a união com Cristo é condicional à fé nele faz a eleição também condicional à fé em Cristo.”
            Não, isto não indica que Deus nos escolheu “por causa de nossa união com Cristo.” Antes, isto ou significa que Deus nos escolheu em Cristo como nosso cabeça federal, ou que Deus nos escolheu para sermos salvos através da obra de Cristo.




Tradução: Francisco Alison Silva Aquino