quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O DIA EM QUE EU ME TORNEI UM CALVINISTA



Por C. Michael Patton

            Há algumas coisas que as pessoas nunca esquecem. Os detalhes de certas tragédias e sofrimentos permanecem ao seu lado e os vívidos detalhes os lembram de sua significância. As pessoas se lembram de onde elas estavam quando os aviões atingiram o World Trade Center. Eu estava saindo para o trabalho e olhei para a TV. As pessoas se lembram de onde elas estavam quando o primeiro ônibus espacial explodiu. Eu estava no oitavo degrau de baixo da máquina de salgadinhos preparando Bugles. Eu lembro onde eu estava quando me contaram sobre a morte da minha irmã. Eu estava dirigindo de passagem em Preston Rd. Eu lembro onde eu estava quando me contaram sobre o aneurisma da minha mãe. Eu estava sentando no sofá no assento do meio com cereal na minha boca. Nós nos lembramos de certos eventos por causa do significado deles. Infelizmente, a maioria destes é trágica. É engraçado levantar este assunto neste contexto, mas a maioria dos cristãos se lembram onde eles estavam quando eles ouviram pela primeira vez sobre a eleição divina — predestinação.

            Foi há aproximadamente 20 anos atrás. Eu estava do lado de fora do quarto da minha mãe, e ela veio até mim com sua Bíblia e disse: “Você acha que tem entendido ela toda? Bem, como você lida com isto?” Ela me deu sua Bíblia aberta em Romanos 9. Foi a primeira vez que eu li isto. Eu li ali mesmo no pátio da entrada. Quando eu li as palavras: “Não depende de quem quer ou de quem corre, mas de  Deus ter misericórdia,” Eu enlouqueci. Bem, eu comecei a ficar confuso. Mas eu não deixei minha mãe saber isto porque na época eu era um sabe-tudo (por isso, o “Você acha que tem entendido ela toda” etc.). Minha confusão se transformou em determinação. Determinação de resolver esta “crise”. Eu entrei no meu quarto e me deitei no lado esquerdo da cama. Eu estudei esta passagem de trás pra frente. Não, eu não consultei nenhum comentário. Eu era esperto demais para eles na época. Tudo que eu precisava era a Bíblia e o Espírito Santo. Minha mãe estava certa em me contar que ela tinha perguntado às pessoas em toda a sua vida e ninguém deu a ela uma resposta. Isto abasteceu minha motivação.

            Depois de horas sozinho com o texto, eu voltei ao quarto da minha mãe e sentei ao seu lado direito na cama dela. Eu disse: “Eu entendi o texto”. Eu continuei a contar a ela que Deus “elegeu” pessoas baseadas no que ele já sabia. Eu tinha raciocinado desta forma: Se Deus sabe todas as coisas, até mesmo o futuro, então ele sabe quem o escolherá. Portanto, ele simplesmente olha para frente no tempo e escolhe aqueles que o escolhem. É isso! Próxima questão, por favor.

            Sim, eu cheguei a esta conclusão por si mesmo sem nem saber que eu estava articulando uma posição arminiana com respeito à eleição. Eu deixei a sala dela satisfeito de que ela ainda acreditava que eu podia resolver qualquer dilema bíblico. No entanto, o problema era que ela não estava satisfeita com minha resposta. Eu sabia que minha resposta era insuficiente. Na realidade, eu sabia. Eu sabia que eu não estava sendo intelectualmente honesto com minha mãe, comigo mesmo, ou com o texto. Eu sabia que eu estava simplesmente tentando resolver um problema que quando encarado seriamente era muito assustador. Não, era respulsivo. Este sabe-tudo-arminiano-por-natureza estava completamente confuso. Por quê? Porque a resposta que eu dei era exatamente o que o texto não permitiria. Ele dizia: “(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. E eu disse para minha mãe que isso dependia de se alguém tivesse feito ou não algo bom ou mal, isto é, se alguém tivesse ou não fé.

            Naquele dia, as coisas mudaram. Eu também me lembro do dia em que eu abracei completamente (e alegremente) a eleição incondicional. Eu estava no seminário liderado por James Montgomery Boice. Eu não me lembro muito do que ele disse, mas eu me lembro desta história. Eu farei o melhor que eu posso com isto.

“Imagine isto. Imagine você mesmo estando no céu e andando com os anjos. Um deles pergunta a você: ‘como você chegou aqui? ’ Você diria: ‘Bem, eu cheguei aqui somente pela graça de Deus. ’ O anjo responde e pergunta: ‘Bem, eu não entendo. Por que você está aqui e outros não estão?’ Você diz: ‘Porque Deus teve misericórdia de mim.’ ‘Sim, mas,’ o anjo replica: ‘O que faz você diferente?’ Se você é um arminiano, você diria: ‘Bem, a maior diferença entre as outras pessoas e eu mesmo é que eu escolhi colocar a minha fé em Deus.’ [Neste momento, Boice coloca seus polegares sob seus braços com um olhar altivo]. O anjo então diz: ‘Oh, então, no fim das contas, você é a causa da sua salvação.’ Mas para o calvinista, as coisas são diferentes. Nunca haverá uma oportunidade ou um lugar para se vangloriar diante dos anjos ou alguém mais. Nem mesmo no menor. Não há nada que você possas afirmar. Não há altivez, nem orgulho, nem autoestima. Apenas um profundo entendimento de que Deus fez tudo e você nada. Isto é graça. Para o anjo, tudo o que o calvinista pode dizer é: ‘Eu não sei porque Deus teve misericórdia de mim e não dos outros. Tudo o que eu sei é que isto não tem nada a ver comigo.”

            Naquele dia eu finalmente cheguei à firme conclusão de que isto é o que a Bíblia ensina e eu tive melhor submissão à sua autoridade, não a autoridade da minha emoção. Naquele dia eu percebi que a salvação é obra monergística de Deus. Naquele dia eu percebi que minha fé era uma resposta à misericórdia de Deus em mim. Naquele dia eu percebi quão radical é a graça e quão soberano Deus é em sua administração dela. Naquele dia eu alegremente dei ao oleiro o comando sobre o barro e coloquei minha mão sobre minha boca. Naquele dia eu soube que eu nunca poderia ser perdido uma vez que eu não tinha nada a ver com ser achado.

            Desde então, as lutas com relação à esta questão não tem cessado. Eu ainda entendo os problemas que as pessoas têm com Romanos 9 e a doutrina inteira da eleição. Eu entendo por que as pessoas a rejeitam. No entanto, todos os argumentos que eu já ouvi contra ela só servem para confirmar minha convicção da veracidade da eleição incondicional.
PS: Este post não tem a intenção de ser um argumento a favor do calvinismo (embora isto seja implicado), mas simplesmente alguns detalhes sobre minha jornada teológica, se você quiser.
PSS: Não, eu ainda NÃO sou um sabe-tudo. Silêncio!

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

ELEIÇÃO CONDICIONAL OU APOSTASIA?



Por Steve Hays

            De um lado:

“Arminianos creem que é necessário para o redimido perseverar em fé salvadora a fim de obter a vida eterna na era vindoura (salvação final). Nós mantemos que crentes verdadeiros que experimentaram regeneração genuína podem, no entanto, cair da fé e perecer eternamente. Nós tomamos as palavras de Jesus literalmente e seriamente: “Aquele que perseverar até o fim será salvo.” Nós mantemos que é responsabilidade do crente continuar em fé salvadora embora reconhecendo a dependência da graça e poder de Deus para isso.”


“Estes versos (Hb 10.28-29) põem grande dificuldade para o calvinismo e tem suportado alguns dos mais infelizes atos de tortura exegética por aqueles que desesperadamente tentaram manter suas doutrinas para longe do naufrágio sobre as implicações claras destes versos.”


            Por outro lado:

“Eu subscrevo a mesma declaração de fé que a Society of Evangelical Arminians (SEA)”:

‘Nós cremos que a graça salvadora de Deus é resistível, que a eleição para a salvação é condicional à fé em Cristo, e que perseverar em fé é necessário para a salvação final.’”


            Ben tem se envolvido em um dilema muito forte. De um lado ele subscreve a eleição condicional. Nesta visão, Deus não apenas prevê quem os crentes serão, mas escolheu o crente com base na fé prevista.

            Mas neste evento, o crente não pode ser incrédulo. Uma vez que eles foram preconhecidos a serem crentes, e eleitos com base na fé deles, eles não são mais livres para fazerem o contrário. Se a fé deles não é apenas prevista, mas Deus os escolheu com base na fé deles, então a apostasia não é uma opção viva para eles. Eles não podem ainda ser livres para fazer contrário.

            Se, portanto, Ben, assim como todos os outros membros da SEA, são comprometidos com a eleição condicional, então — por sua própria admissão — arminianos não tomam as palavras de Jesus seriamente. Arminianos devem se envolver em tortura exegética para desesperadamente manterem seu dogma da eleição condicional longe do naufrágio sobre implicações claras da escritura em relação à apostasia.  

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2009/08/conditional-election-or-apostasy.html

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

REPROVAÇÃO



Por Steve Hays

            A Helmet disse:

“A doutrina calvinista da reprovação é insustentável. A única tentativa de apoiar esta doutrina é baseada em Romanos 9.22,23. Mas apesar do fato de que esta apenas seria uma base escassa de qualquer maneira, nem mesmo este texto funciona.”

            1.  Com respeito à “base escassa”, o nascimento virginal de Cristo tem uma base muito mais escassa. Há apenas dois textos diretos para o nascimento virginal. No entanto, os cristãos são bastante zelosos na sua defesa deste ensino bíblico.

            2. Vamos manter em mente que o ensino implícito da escritura é simplesmente tão autoritativo quanto o ensino explícito da escritura. Os escritores da Bíblia como Paulo e o autor de Hebreus frequentemente argumentam a partir do ensino implícito da escritura. Assim faz Jesus. Na verdade, Jesus repreende seus oponentes pela falha deles em prestar atenção ao ensino implícito da escritura.

            3. Mais textos explícitos para a reprovação ou dupla predestinação incluem: Mt 11.25-26; Rm 9.13,17-18,21-22; 11.7; 1 Pe 2.6-8.

            4. Então há o ensino implícito da escritura a respeito da reprovação ou dupla predestinação: “Não é mais necessário do que combinar as duas verdades individuais, que toda graça salvífica, inclusive da fé, é o dom sobrenatural de Deus, e que nem todos os homens são feitos recipientes deste dom, perceber imediatamente que a razão última pela qual alguns são salvos e outros passados por alto repousa em Deus apenas.” G. Vos, “The Biblical Importance of the Doctrine of Preterition,” Redemptive History and Biblical Interpretation, 412.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

DUALISMO ARMINIANO



Por Steve Hays

            Quando eu fiz meu pequeno post sobre os paralelos lógicos entre arminianismo e dualismo maniqueísta/Zoroastriano, eu incomodei muitos arminianos sensíveis.

            O que é irônico sobre a indignação deles é que eu estava simplesmente jogando pelas suas próprias regras. Eu estou usando o próprio método deles.

            Quando os arminianos atacam o calvinismo por razões moralistas, eles moldam o problema do mal em termos de autoria. O calvinismo alegadamente faz Deus o “autor do pecado”.

            Então a autoria é o paradigma deles. E, dado este paradigma, eles rejeitam a autoria unitária. Deus não é o único autor da história.

            Se, portanto, nós aceitarmos a metáfora favorita deles, então a história (isto é, o mundo) é resultado da coautoria de um novelista virtuoso ou dramaturgo em conjunção com um novelista ou dramaturgo perverso. O autor virtuoso foi o autor das coisas boas enquanto o autor diabólico foi o autor das coisas más. Deus é o autor de todas as coisas boas, enquanto alguém mais foi o autor de todas as coisas más. 

            Bem, isto não é dualismo? Arminianos bifurcam a história em bem e mal, atribuindo os heróis a um autor enquanto eles atribuem os vilões a outro autor. Um autor honroso cria personagens honrosos enquanto um autor desonroso cria personagens desonrosas.

            É como dizer que Sir Arthur Conan Doyle criou o nobre personagem de Sherlock Holmes, mas alguém mais criou o vil personagem de Prof. Moriarty.

            Eu suponho que eles ajustariam a metáfora um pouco em termos de autoria composta (múltipla) em vez de coautoria. Diferentes autores escreveram diferentes partes da história.
            Mas o princípio subjacente permanece dualista. O bem tem uma fonte enquanto o mal tem uma fonte diferente. Duas fontes antitéticas, opostas.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino