sábado, 29 de novembro de 2014

ARMINIANO NEGA QUE DEUS TEM LIVRE ARBÍTRIO LIBERTÁRIO (?)


Por Paul Manata

            Dan em crônicas arminianas dá algumas condições necessárias e suficientes para atribuir “livre arbítrio libertário” a um agente. Em vez de escrever um post inteiro interagindo com o post dele, eu vou apenas chamar a atenção para duas afirmações. Dan disse:

“[Livre arbítrio libertário não é] A habilidade de criar ex nihilo.”

            Mas o livre arbítrio de Deus tem esta habilidade.

“[Livre arbítrio libertário é] Ser capaz de escolher uma ou outra opção implica que ambas são possíveis, o que implica que nenhuma opção é necessária.”

            Mas escolher o mal, para Deus, é impossível. É necessário que Ele escolha o bem porque Ele é necessariamente bom. Escolher o mal não é uma opção possível, para Deus.

            Se Deus não tem livre arbítrio libertário, e o homem é feito à sua imagem, por que o homem pensa ter livre arbítrio libertário?

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

REPROVAÇÃO JOANINA

Por Steve Hays

Prosseguiu então Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos.” (Jo 9.39)
Se eu não viera e não lhes falara, não teriam pecado; agora, porém, não têm desculpa do seu pecado.” (Jo 15.22)
            Observe o propósito duplo da redenção. Jesus vem para salvar, mas ele também vem para condenar. Ele vem com a intenção de inculpar os incrédulos. Este é um efeito premeditado de seu ministério.

            Observe também o contrafactual divino: “Se eu não viera...”. A culpa agravada deles era evitável. Deus poderia ter lhes poupado deste destino. A ação de Deus não era contingente (dependente) à resposta deles. Em vez disso, a resposta deles era condicionada à ação de Deus — com o resultado previsível.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino



terça-feira, 18 de novembro de 2014

JONATHAN EDWARDS SOBRE A DISTINÇÃO ENTRE A VONTADE DECRETIVA E A VONTADE PRECEPTIVA DE DEUS



“Quando é feita uma distinção entre a vontade revelada de Deus e sua vontade secreta, ou sua vontade de ordem e de decreto, a vontade é certamente tomada em dois sentidos. Sua vontade de decreto não é a sua vontade no mesmo sentido em que sua vontade de ordenança o é. Portanto, não há qualquer dificuldade em supor que uma possa ser oposta à outra: sua vontade é, em ambos os sentidos, a sua inclinação. Mas quando dizemos que ele deseja a virtude ou ama a virtude, ou a felicidade da sua criatura, com isso se pretende que a virtude ou a felicidade da criatura, considerada de modo absoluto e simples, é agradável à inclinação da sua natureza. Sua vontade de decreto é a sua inclinação para alguma coisa, não quanto a essa coisa absoluta e simples, mas no tocante à universalidade das coisas. Embora odeie o pecado em si mesmo, Ele pode desejar permiti-lo, para a maior promoção da santidade nessa universalidade, incluindo todas as coisas e em todos os tempos. Assim, embora Ele não tenha inclinação para a miséria de uma criatura, considerada de maneira absoluta, Ele pode querer desejá-la para uma maior promoção da felicidade nessa universalidade. Deus se inclina à excelência, que é harmônica, mas ainda assim pode inclinar-se a suportar o que é desarmonioso em si mesmo visando a promoção de uma harmonia universal, ou para a promoção da harmonia que há na universalidade, fazendo-a brilhar com mais intensidade.

(...) não há qualquer incoerência ou incompatibilidade entre as vontades decretiva e preceptiva de Deus. É muito coerente supor que Deus pode odiar a coisa em si e, ainda assim, querer que ela venha a ocorrer. Deveras, não tenho medo de afirmar que a coisa em si pode ser contrária à vontade de Deus e, ainda assim, ser agradável à sua vontade que ela venha a ocorrer, porque a sua vontade num dos casos não tem o mesmo objetivo da sua vontade no outro caso. Supor que Deus tem vontades contrárias em relação ao mesmo objeto é uma cotradição, mas não é contraditório supor que Ele tenha vontades contrárias acerca de diferentes objetos. É evidente que uma possa ser boa e a outra possa ser má. A coisa em si pode ser má e, ainda assim, a sua ocorrência pode ser uma coisa boa. A ocorrência de uma coisa má pode ser uma coisa boa — e frequentemente, com certeza e inegavelmente é assim, e assim se prova.”

Jonathan Edwards, The works of Jonathan Edwards, com biografia por Sereno E. Dwight, revisado e corrigido por Edward Hickman, 2 Vols. (Edimburgo: Banner of Truth, 1979), 2:527, 528.

Fonte: Escolhidos: uma exposição da doutrina da eleição, Sam Storms, p.145-46.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

GRAÇA PREVENIENTE: UMA RESPOSTA A BRIAN ABASCIANO



Por Steve Hays


            Brian Abasciano é presidente da SEA. Ele é um competente erudito do NT. Então é instrutivo ver seu caso positivo para a graça preveniente:

“Como nós temos notado, visto que os seres humanos são seres caídos e pecaminosos, eles não são capazes de pensar, querer, nem fazer nenhum bem deles mesmos, inclusive crer no evangelho de Cristo. Portanto, desejando a salvação de todos e tendo provido a expiação para todas as pessoas, Deus continua a tomar a iniciativa para o propósito de trazer todas as pessoas para a salvação ao chamar as pessoas de todo lugar para se arrependerem e crerem no evangelho (At 17.30; Mt 28.18-20), e ao capacitar aqueles que ouvem o evangelho para responder a ele positivamente em fé. Sem a ajuda da graça, o homem não pode escolher agradar a Deus ou crer na promessa de salvação oferecida no evangelho. Como João diz em Jo 6.44: “Ninguém pode vir a mim se o pai que me enviou não o trouxer.” Mas graças a Deus, Jesus também prometeu, “e eu quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12.32). Assim, o pai e o filho atraem todas as pessoas a Jesus, capacitando-as a vir a Jesus em fé.

Continuando a missão de Jesus de salvar o mundo, o Espírito Santo veio “convencer o mundo do pecado e da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Embora os incrédulos estejam “entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” (Ef 4.18), o Senhor abre o coração das pessoas para responderem positivamente à mensagem do evangelho (At 16.14).

Tudo isto é o que é conhecido na linguagem teológica tradicional como graça preveniente. O termo “preveniente” simplesmente significa “precedente”. Assim, “graça preveniente” refere-se à graça de Deus que precede a salvação, incluindo aquela parte da salvação conhecida como regeneração, que é o início da vida espiritual eterna concedida a todos que confiam em Cristo (Jo 1.12-13). A graça preveniente é também às vezes chamada de graça capacitadora ou graça pré-regeneradora. Este é o favor imerecido de Deus para com as pessoas totalmente depravadas, que são indignas da benção de Deus e incapazes de buscá-lo ou confiar nele em e de si mesmos. Consequentemente, At 18.27 indica que nós cremos através da graça, colocando a graça anteriormente (isto é, logicamente anterior) à fé como o meio pelo qual nós cremos. É a graça que, entre outra coisas, liberta a nossa vontade para crer em Cristo e em seu evangelho. Como Tt 2.11 diz, “pois a graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens.”


I) Nós poderíamos começar perguntando o que motiva a doutrina da graça preveniente. A resposta, eu creio, é que os arminianos queriam evitar o pelagianismo ou semi-pelagianismo. Eles queriam defender uma posição intermediária entre calvinismo e pelagianismo. Então eles afirmam a prioridade e a necessidade da graça divina em relação à fé. Deus, não o homem, deve tomar a iniciativa.

II) O que é digno de nota sobre a documentação de Abasciano é que nenhum destes textos prova a sua afirmação distintiva. É impressionante que ele nem mesmo está consciente da desconexão óbvia.

                Em face disso, nenhum desses textos exige graça preveniente em vez de graça irresistível. No entanto, este contraste é crucial para a sua posição.

                Observe o que eu não estou dizendo. Neste post eu não estou tentando mostrar que os textos de prova dele de fato ensinam a graça irresistível. Antes, eu estou comentando sobre o que eles não mostram.

                Nenhum desses textos indica que a graça em questão simplesmente capacita os não regenerados a crer. Nenhum de seus textos indica que a graça em questão liberta a vontade ou para crer ou “descrer” no evangelho. Eles não dizem ou implicam que o recipiente desta graça está em liberdade para responder positivamente ou negativamente.

                Ainda que seus textos fossem consistentes com a graça resistível, eles parecem ser igualmente consistentes com a graça irresistível. Do mesmo modo, nenhum de seus textos de prova distingue a graça pré-regeneradora da graça regeneradora.

                Por algum motivo estranho, Abasciano age como se seus textos de prova obviamente estabelecessem sua afirmação, embora eles evidentemente fiquem aquém do que ele afirma para eles. No entanto, presumivelmente, estes são seus melhores textos de prova para a graça preveniente.

III) Também é estranho vê-lo citar Tt 2.11 neste contexto. Dado a interpretação arminiana de “todos”, por que este não é um texto de prova para a salvação universal em vez de graça preveniente? De modo notório, há mais de uma forma de traduzir a sintaxe grega, mas dado a tradução que ele citou, como ele evita o universalismo? (E se ele discorda da tradução, por que citar esta versão?)

                De igual modo, dado a interpretação arminiana de “todos”, por que Jo 12.32 não ensina a salvação universal? Se eu puxo (atraio, tiro) a água, a água me recusa?

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/prevenient-grace.html

sábado, 8 de novembro de 2014

TREM EXPRESSO PARA O CÉU: A FALHA ILUSTRAÇÃO DE JERRY WALLS EM Rm 8.29-30

Por Steve Hays

“Paulo resume a ação de Deus em nos salvar em termos de nos conhecer de antemão, nos predestinar, nos chamar, nos justificar e nos glorificar.
Pense da seguinte forma. A predestinação é como um trem que tem um destino predeterminado. Todos aqueles que embarcam no trem e permanecem nele inevitavelmente chegarão ao destino predeterminado. Além disso, não há outra forma de alcançar aquele destino. Se nós quisermos chegar lá, nós temos que entrar naquele trem e permanecer nele através de cada parada ao longo do caminho.”


            I) “Os que dantes conheceu” não é a tradução mais precisa de proginosko nesta passagem. BAGD a define como “escolhidos de antemão”. E mesmo Brian Abasciano admite que esta tradução seja mais precisa.

            II) um problema básico com a analogia de Jerry Walls é que se nós vamos usar um trajeto de trem para ilustrar Rm 8.29-30, então é Deus quem escolhe os passageiros de antemão. Deus é quem os coloca no trem. Deus é quem os mantém no trem. Rm 8.29-30 não é um processo de atrito, onde os passageiros que chegam ao destino designado não são os mesmos passageiros que embarcaram no trem em primeiro lugar.

            Na verdade, não há paradas. Eles não descem antes do destino final. Em vez disso, coisas acontecem com eles (ou para eles) a bordo. Dentro do trem. Como comer e dormir. Nutrição espiritual.

            III) Na analogia de Jerry, o trem está predestinado, mas os passageiros não estão. Pela sua lógica, se o trem chegasse vazio em seu destino celestial, isto ainda teria servido a seu propósito uma vez que a predestinação apenas se aplica ao trem, não aos passageiros, se for o caso. Se o trem está cheio ou vazio é irrelevante para como ele reformula a questão.

            Esta é uma muito reveladora, ainda que involuntária, ilustração da vacuidade da eleição corporativa como um substituto para a eleição individual.

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ELEIÇÃO INDIVIDUAL EM EFÉSIOS 1.4

Por Francisco Alison Silva Aquino

            Há uma tendência da parte de muitos intérpretes em ver a descrição de Paulo acerca da eleição como sendo exclusivamente corporativa. Mas uma análise mais precisa indica que a eleição em vista é ao mesmo tempo corporativa e individual. 

            Que a eleição é corporativa é indiscutível, uma vez que Deus escolheu sua igreja antes da fundação do mundo, sendo ela composta de judeus e gentios crentes conforme Paulo nos diz em Ef 2.14, 16. O problema é interpretar a passagem como sendo de caráter corporativo apenas e não individual. Mas analisemos a perícope em questão.

            Paulo nos diz que Deus “nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”. Alguns interpretam a passagem como significando que Deus escolheu um povo, isto é, a igreja, como um conceito abstrato, mas que não escolheu individualmente quem fará parte desse povo. Mas antes de entrar na análise exegética propriamente dita, analisemos uma ilustração proposta por Thomas Schreiner a fim de entendermos se a eleição corporativa faz sentido:

Suponha que você diga: “Eu vou escolher comprar um time de baseball profissional.” Isto faz sentido se você então compra o Minnesota Twins ou o Los Angeles Dodgers. Mas se você faz isto, você escolhe os membros daquele time específico sobre outros jogadores individuais em outros times. Não faz sentido dizer: “Eu vou comprar um time de baseball profissional” que não tem membros, sem jogadores, e então permite que quem desejar vir jogue no time. No último caso, você não escolheu um time. Você tem escolhido que haja um time, a composição do que está totalmente fora do seu controle. Então escolher um time requer que você escolha um time entre outros juntamente com os indivíduos que o compõem. Escolher que haja um time não implica na escolha de um grupo sobre outro, mas apenas que um grupo pode formar em um time se eles quiserem. O ponto da analogia é que se há realmente tal coisa como a escolha de um grupo específico, então a eleição individual está implicada na eleição corporativa.”[1]
 
            A ilustração em si demonstra que uma eleição exclusivamente corporativa não faz sentido. Mas vejamos mais algumas considerações de caráter exegético para a fundamentação da concepção de uma eleição individual. 

            O versículo posterior nos diz que Deus “nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”. O que temos aqui é a doutrina da adoção. Certamente ninguém afirmaria que indivíduos não são adotados ou que Cristo redimiu por meio do seu sangue a igreja corporativamente. Mas que Deus adotou indivíduos, redimindo-os individualmente

            Uma passagem paralela a Efésios 1.4 é Romanos 8.30 que diz: “e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.” Todos creem que as bênçãos aqui como o chamado e a justificação, por exemplo, são individuais. A pergunta é: que sentido faria interpretar essas bênçãos como sendo individuais e a eleição como exclusivamente corporativa? Nenhum! Isso iria contra os princípios elementares da hermenêutica. 

            Outra razão pela qual a interpretação de que a eleição é apenas corporativa não faz sentido é o que está expresso no verso 13 que diz: “no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” Certamente ele está falando a indivíduos bem como à igreja enquanto entidade corporativa. Ninguém diria que a igreja é selada com o espírito santo corporativamente, mas que cada um que crê é selado individualmente

            Analisando Ef 1.4, Forster e Marston afirmam: 

Nós somos escolhidos em Cristo. Isto não significa que nós fomos escolhidos para sermos colocados em Cristo. Isto significa que quando nós nos arrependemos e nascemos de novo no corpo de Cristo, nós participamos do seu povo eleito.”[2]
                No entanto, o texto não diz que Cristo foi eleito como alguns interpretam. O objeto do verbo “escolher” é “nos”. Além disso, quando o texto diz “nos escolheu nele” isto provavelmente significa que Deus escolheu que a salvação seria experimentada “através de Cristo”. Ele é o agente e a pessoa através de quem a obra eletiva de Deus se concretizaria.
                Um comentário de Steve Hays é crucial para o entendimento do texto em questão. Ele diz:

 A eleição corporativa pressupõe eleição individual. “Escolher” aqui significa selecionar de um grupo, não selecionar um grupo abstrato cujos membros são completados depois. A objeção arminiana significa dizer que Deus escolheu Cristo e que qualquer um que escolhe Cristo está “em Cristo”. Ok, então por que alguém escolhe Cristo? O texto diz que Deus nos predestinou — não Cristo, mas os indivíduos — para ser adotados como seus filhos através de Jesus Cristo.”[3]
            Uma análise do verbo grego pode nos ajudar a compreender melhor o texto. Steve Hays prossegue:

O verbo (eklego) normalmente toma um objeto definido: Cristo escolheu os doze apóstolos (Lc 6.13; Jo 6.70; 13.18; At 1.2). O pai escolheu o filho (Lc 9.35). A igreja escolheu Estêvão (At 6.5). A igreja escolheu Silas e Barnabé (At 15.22). Não há, então, presunção de que o verbo não toma um objeto definido e/ou tem uma classe plural, abstrata em vista. A noção de escolha do senso comum é geralmente construída para significar “selecionar de um grupo,” não “selecionar um grupo”. O uso bíblico simplesmente confirma esta noção.”
            Neste sentido, concluímos que o entendimento de que a eleição é exclusivamente corporativa não se sustenta dada a análise exegética do texto aqui tratado. Uma análise mais cuidadosa do texto aponta para uma eleição não só corporativa, mas individual também. Ou seja, Deus escolheu, antes da fundação do mundo, aqueles que fariam parte da sua igreja, os quais seriam redimidos pelo sangue do mediador e salvador Jesus Cristo.