quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TEXTOS DE PROVA ANOTADOS: UM CASO EXEGÉTICO PARA O CALVINISMO – I Pe 2.8-9



porque tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados. Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” ( I Pedro 2.8-9)

            Deus não somente apontou que aqueles que desobedecem à palavra tropeçassem e caíssem. Ele também determinou que eles não creriam e tropeçariam.

            O “mas” iniciando o v.9 é mais naturalmente entendido como um contraste ao que imediatamente precede. Deus designou os desobedientes para a destruição, mas ao contrário disso, os crentes são “um povo eleito” (eklekton genos). Eles pertencem ao povo de Deus porque eles foram eleitos, escolhidos por ele. Nós vimos no primeiro verso da carta que Pedro introduziu o tema da eleição para fortalecer o povo peregrino de Deus, e ele retornou a este tema aqui. (T. Schreiner, 1, 2 Peter, Jude (B&H 203), 113-14).

            Michaels (1988: 107) entende a nomeação de Cristo como pedra e a determinação dos incrédulos para o tropeço não como duas determinações distintas, mas como uma determinação divina com um resultado duplo. Este pensamento é reforçado pelo uso do mesmo verbo (tithemi, colocar, nomear) para se referir tanto à pedra que Deus colocou em Sião (2.6) e à determinação daqueles que não creem e tropeçam (2.8). Quando Deus Designou Jesus como sacrifício expiatório, para ser a pedra colocada em Sião, por aquele ato Deus também necessariamente determinou dois resultados consequentes com respeito à aceitação ou rejeição de Cristo.

            É impossível escapar da força do ensino de Pedro de que a soberania de Deus determinou tanto o destino daqueles que vêm a Cristo e daqueles que desobedecem a sua palavra e rejeita o seu evangelho. (K. Jobes, 1 Peter (Baker 2005), 155-56).

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino  
        
Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/annotated-prooftexts.html

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

TEXTOS DE PROVA ANOTADOS: UM CASO EXEGÉTICO PARA O CALVINISMO – I Pe 1.2




“segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (I Pedro 1.2)

            O entendimento do NT acerca da presciência de Deus de seu povo indica que Deus não simplesmente os observou ou teve informação sobre eles em algum tempo anterior na historia. Em vez disso, Deus os escolheu de acordo com seu plano e propósito muito antes que Deus formasse um povo para ser seu. I Pe 1.20 afirma que o papel redentivo de Cristo foi também pré-conhecido (proginosko) por Deus antes da fundação do mundo. Portanto, os versos 2 e 20 expressam pensamentos correlacionados que mesmo antes da criação Deus escolheu tanto o povo que seria redimido quanto  o agente que os redimiria. (K. Jobes, 1 Peter (Baker 2005), 68).

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/annotated-prooftexts.html

sábado, 25 de outubro de 2014

TEXTOS DE PROVA ANOTADOS: UM CASO EXEGÉTICO PARA O CALVINISMO – II Tm 1.9



que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos,” (II Timóteo 1.9)
            O chamado pode ser usado em um sentido abrangente para descrever a salvação como o resultado do controle soberano de Deus na convocação de pessoas para ele mesmo (Rm 8.28,30). Em seguida, o resumo do evangelho descreve a base desta salvação. As próximas duas linhas consistem em um contraste negativo/positivo que explica a base do chamado de Deus. Primeiro, no lado negativo, está a declaração paulina perfeitamente traduzida literalmente “não segundo as nossas obras”. Seu efeito é excluir o esforço humano completamente do processo.

            O texto também descreve a forma na qual a decisão foi executada — a graça de Deus. Isoladamente “graça” refere-se ao favor imerecido de Deus (1.2; veja I Tm 1.2,12; Tt 3.7) e o contraste entre o mérito humano e o propósito de Deus e sua graça celebra a iniciativa divina na salvação das pessoas.

            Terceiro, a frase final — “antes dos tempos eternos” — inicia um esquema paulino de “transição de tempo”, por meio do qual a passagem recebe um caráter histórico da salvação que permite a natureza única da presente era a ser vista. A própria frase de tempo, literalmente “antes dos tempos eternos”, tirado do pensamento hebraico, distingue entre a atemporalidade da existência de Deus e a temporalidade da sua criação. O ponto que o v.10 fará é que o que foi concebido antes da criação — o plano de salvar pessoas — foi executado em um ponto na historia no qual a graça de Deus tornou-se manifesta na história em Cristo. Mas neste ponto do texto, o poema teológico nos mostra que o plano de salvar através da obra de Cristo foi feito, e operado na mente de Deus, antes da criação. Deste modo, esta parte subjaz a soberania de Deus na eleição de seu povo e em fazer isto acontecer através da obra redentora de Cristo. (P. Towner, The Letters to Timothy and Titus (Eerdmans 2006), 468-70).

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/annotated-prooftexts.html

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

TEXTOS DE PROVA ANOTADOS: UM CASO EXEGÉTICO PARA O CALVINISMO – Ef 2.1-10



Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.1-10).
            “Mortos” [em pecados] é entendido aqui não como morte física literal, mas no sentido metafórico de alienação daquele que dá vida (cf. 2.12; 4.18).

            Os leitores estavam anteriormente sob a influência controladora “deste mundo”. Isto poderia ser interpretado como uma referência às várias religiões, ideologias, filosofias, valores e sistemas econômicos não cristãos assim como à mais mundana porém igualmente influência poderosa dos nobres.

            A segunda influência poderosa que antigamente mantinha os leitores em escravidão ao pecado é o diabo (2.2).

            Paulo agora (2.3) indica a terceira forma de má influência que mantém a humanidade descrente em escravidão ao pecado e da qual eles precisam de libertação... um conflito entre a carne e o espírito.

            O pensamento de Paulo aqui (v. 10) corresponde à sua afirmação sobre o propósito da eleição em 1.4, onde ele diz que Deus “nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis.” (C. Arnold, Ephesians (Zondervan 2010), 129,131-133,142).

            [2.8] No pensamento de Paulo, a fé não é algo que as pessoas oferecem a Deus e com a qual a graça de Deus então coopera para salvá-los. Antes, a fé está alinhada com a graça, e ambas fé e graça permanecem como opostas a qualquer coisa que o homem possa oferecer a Deus.

            A segunda afirmação (v.9) nega que a salvação vem de quaisquer obras que eles pudessem realizar. Antes da conversão deles, “o príncipe da potestade do ar” (Satanás) estava poderosamente em operação (energountos) neles, e eles seguiam os desejos de sua carne e mente caídas (2-3). (F. Thielman, Ephesians (Baker 2010), 143).

            A condição passada é mencionada pelos termos relativos ou ao pecado (Rm 5.8-11; 7.5; Ef 2.1), práticas éticas, alienação de Deus e seu povo (Cl 1.21; Ef 2.3), ou escravidão ao mal, forças sobrenaturais (Ef 2.2).

            Aqueles que estão fora de Cristo são não apenas sujeitos à escravidão generalizada da presente era má; eles são também inspirados e fortalecidos por forças pessoais más. Paulo retrata a segunda influência hostil como um ser sobrenatural poderoso que governa sobre esta série de espíritos maus.

            “Por natureza” (v.3) pode significar simplesmente “de nascimento” em Gl 2.15 e este é seu significado aqui. A expressão “filhos da ira” é um hebraísmo, como “filhos da desobediência” (v.2), e significa merecedores do julgamento divino.

            [v. 8] Porém, o contexto demanda que “isto” seja entendido da salvação pela graça como um todo, incluindo a fé (ou fidelidade) através da qual ela é recebida.

            A afirmação conclusiva deste parágrafo deslumbrante sobre a salvação graciosa de Deus sublinha a importância e origem divina destas boas obras: “as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas”... O único outro uso deste verbo em Rm 9.23 apresenta um impulso fortemente “predestinariano”, e é provável que o prefixo “antes” sugere que a preparação de Deus precede a fundação do mundo... como já preparado em sua mente e conselho desde antes na eternidade. (P. T. O'Brien, The Letter to the Ephesians (Eerdmans 1999), 158-159,162,175-177,180-181).

Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/annotated-prooftexts.html